Falando o inefável

Introdução

Uma das aventuras promovidas por certos escritores de obras consagradas pelos amantes de literatura é a descrição do indescritível. Howard Phillips Lovecraft é um exemplo bem conhecido deste tipo de índole. Em seu conto The Transition of Juan Romero, o autor fala a respeito de um som aterrorizante e indescritível. Pior do que isso, ele chega a afirmar que qualquer tentativa de descrição deste som é simplesmente inútil. E ainda assim, Lovecraft batalha duramente contra as limitações da linguagem escrita para garantir que seu leitor possa ouvir este mesmo som à medida que seus olhos percorrem as páginas escritas quase um século atrás. Outro fabuloso exemplo é o poema The Naming of Cats, no qual Thomas Stearns Eliot faz explícita referência a nomes que gatos possuem, mas que são insondáveis por qualquer pesquisa humana. 

But above and beyond there’s still one name left over,
And that is the name that you never will guess;
The name that no human research can discover —
But THE CAT HIMSELF KNOWS, and will never confess.
When you notice a cat in profound meditation,
The reason, I tell you, is always the same:
His mind is engaged in a rapt contemplation
Of the thought, of the thought, of the thought of his name:
His ineffable effable
Effanineffable
Deep and inscrutable singular Name.

Pois bem. Neste breve ensaio apresentamos uma proposta de generalização da língua portuguesa que permite sistematicamente falar e escrever a respeito de uma classe de conceitos que não podem ser satisfatoriamente descritos ou compreendidos. Tais conceitos indescritíveis podem ser usados como o sujeito em uma oração, desde que certos cuidados sejam tomados. Uma série de novas regras gramaticais e vocábulos são introduzidos. Neste sentido, eventuais ajustes poderão (e deverão) ser feitos nas regras propostas, em função de eventuais críticas promovidas por leitores deste texto. Mas as regras gerais, a menos de eventuais exceções, são dadas aqui. Então, lá vamos nós.


Quasi-substantivos

 

"Árvore" é um substantivo. É um substantivo que pode se referir a uma árvore específica em um dado momento, ou à categoria de todas as árvores que existiram, existem, existirão ou poderiam existir em qualquer momento, bem como àquelas árvores que jamais poderiam existir em momento ou lugar algum, como o carvalho azul turquesa que imaginei em um dado instante, plantado no Mar da Tranquilidade, na superfície da Lua. Além disso, o substantivo "árvore" pode assumir outras conotações de caráter mais abstrato ainda, como ocorre nas expressões "árvore genealógica", "árvore da vida", "árvore gramatical" e "árvore de decisão", entre muitas outras. 

"Arvorei", no entanto, é um neologismo que introduzimos em nossa proposta. É um novo termo que associamos a uma nova classe de palavras que chamamos de quasi-substantivo. O termo "arvorei", apesar de não ser um adjetivo, é associado à natureza arbórea e somente à natureza arbórea. E vale lembrar que "arbórea" é sim um adjetivo, que se refere à natureza comum a toda e qualquer árvore, seja existente ou não, real ou metafórica. 

No entanto, a palavra "arvorei" é muito mais do que um simples neologismo. Isso porque este termo implica na criação de novas regras gramaticais, por conta da semântica aqui pretendida. Jamais o quasi-substantivo "arvorei" pode ser precedido de um artigo definido ou indefinido. Isso porque "arvorei" é um quasi-substantivo que se refere apenas à característica de ser arbóreo, sem especificar número, gênero ou localização espacial ou temporal. Neste sentido, a palavra "arvorei" não pode ser associada a número ou gênero, o que justifica o uso do prefixo "quasi", quando afirmamos que esta palavra é um quasi-substantivo. 

Portanto, as sequências de palavras "o arvorei", "a arvorei", "um arvorei" ou "uma arvorei" carecem de significado diante da semântica aqui pretendida. E, por extensão, nenhum quasi-substantivo pode ser precedido por qualquer artigo definido ou indefinido. 

Os artigos definidos da língua portuguesa são "o", "a", "os" e "as". Os artigos indefinidos são "um", "uma", "uns" e "umas". E artigos são comumente usados para preceder substantivos em frases da língua portuguesa.

Todo quasi-substantivo, porém, pode ser precedido por um quasi-artigo. E o único quasi-artigo que propomos aqui é "i". 

Tanto artigos definidos quanto indefinidos estão direta ou indiretamente associados a uma potencial identificação, por meio de gênero e número, de um dado substantivo ao qual o artigo se aplica. Considere, por exemplo, a frase "Aquilo é uma árvore." Apesar do emprego do artigo indefinido "uma", a palavra "Aquilo" sugere, dependendo do contexto em que a frase é enunciada, que o interlocutor pode estar apontando para uma árvore específica e, portanto, pode estar identificando um objeto específico, localizado  no espaço e no tempo. Quasi-substantivos, por outro lado, não permitem identificação por meio de gênero, número ou localização. Portanto, a sequência de palavras "Aquilo é i arvorei" carece de significado na semântica pretendida, justamente pelo fato de que quasi-substantivos são desprovidos de identificação que permita alguém apontar para algo. Não é possível apontar para algo (afirmando "Aquilo"), enquanto se sugere que este algo carece de identidade no que se refere a gênero, número ou localização. Ou seja, as noções de singular e plural não se aplicam a quasi-substantivos.

Exemplo de frase com significado que faz uso do quasi-substantivo "arvorei" é o seguinte:
"Esta coisa é dotada de características di arvorei, ainda que não seja predominantemente arbórea." (o termo "di" é uma abreviação para "de i")

No exemplo dado acima, o interlocutor fala a respeito de algo específico. Logo, este algo é identificado ou, pelo menos, identificável. No entanto, apesar de algo ser identificado, este algo é percebido como uma coisa que tem características de arvorei. E i arvorei não poder ser apontadi, não poder ser visti ou sentidi, não poder ser descriti ou definidi

Neste momento o leitor já deve ter percebido outras mudanças gramaticais decorrentes da introdução de quasi-substantivos: conjugação verbal e concordância.

Conjugação verbal em nosso idioma (português) usualmente demanda qualificação de tempo (presente, pretérito e futuro), número (singular e plural), pessoa (primeira, segunda e terceira), gênero (masculino e feminino), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), aspecto (perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito, do presente e do pretérito) e voz (ativa, passiva e reflexiva). 
No caso de quasi-substantivos, verbos não são flexionados, mantendo-os na forma nominal conhecida como infinitivo impessoal, desde que se mantenha a conotação semântica e pragmática de estar se referindo a uma ideia genérica (um construto) sem sujeito determinado. No entanto, o significado de verbos não flexionados associados a quasi-substantivos é atemporal. Esta é uma questão da mais alta importância, do ponto de vista semântico. Usualmente verbos são palavras que indicam eventos localizados no tempo, como uma ação, um estado, um processo ou um fenômeno. Porém, uma vez que quasi-substantivos não podem ser identificados por gênero ou número, não faz sentido interpretá-los como um fenômeno ou uma ação. E, levando em conta a semântica pretendida, isso exclui a possibilidade de localizar um quasi-substantivo em qualquer escala temporal, seja objetiva ou subjetiva, física ou psicofisiológica, real ou imaginária.

Diante disso tudo, é recomendável que seja estabelecido um breve glossário que resuma e esclareça da melhor maneira possível sobre o que, afinal, estamos falando:

1) Substantivo: classe gramatical da língua portuguesa que permite nomear coisas ou seres identificáveis.

2) Quasi-substantivo: classe gramatical de uma extensão da língua portuguesa que permite nomear conceitos que não são identificáveis por gênero, número ou localização temporal ou espacial. Chamamos esta extensão da língua portuguesa de quasi-português. Na prática, quasi-substantivos operam como o sujeito em uma frase de quasi-português, podendo também operar como objeto direto em uma oração.

3) Conceito identificável: qualquer conceito cuja compreensão possa ser assimilada e aceita por uma pessoa através de exemplos concretos no mundo real ou através de uma descrição clara e objetiva. 

4) Artigo: classe gramatical da língua portuguesa que precede o substantivo em uma frase, determinando seu número e seu gênero.

5) Quasi-artigo: classe gramatical que é empregada única e exclusivamente para anteceder quasi-substantivos em uma frase do quasi-português, determinando que estamos falando sobre algo que não é identificável por gênero ou número. 

As regras gramaticais (indissociáveis da contraparte semântica e pragmática) de quasi-português são as seguintes:

I) As regras gramaticais da norma culta da língua portuguesa.

II) Quasi-substantivos não podem ser empregados em frases que possam sugerir sua identificação ou compreensão por meio de gênero, número ou localização no espaço ou no tempo.

III) Nenhum artigo pode anteceder um quasi-substantivo em uma frase, mas o quasi-artigo "i" pode.

IV) Quasi-substantivos não admitem gênero ou número.

V) Todo verbo associado a um quasi-substantivo, em uma dada frase, deve ser mantido no infinitivo impessoal, desde que seu significado seja atemporal. Chamamos este caso de conjugação verbal de flexão neutra. Podemos também dizer que o verbo é flexionado de forma neutra.

VI) Em qualquer frase definida por quasi-substantivo + verbo flexionado de forma neutra + predicativo do sujeito, o predicativo deve concordar com o sujeito, ou seja, com o quasi-substantivo. Esta concordância é feita da seguinte maneira: uma vez que predicativos do sujeito são palavras variáveis que caracterizam o sujeito em uma oração, basta identificar a base da palavra predicativa e ajustar a vogal para que esta palavra encerre com a letra i. Exemplo: "I arvorei não poder ser apontadi, não poder ser visti ou sentidi, não poder ser descriti ou definidi." Regra análoga vale para predicativos do objeto, desde que o objeto direto da oração seja um quasi-substantivo.

VII) Para todo substantivo que não termina em "ão" existe um quasi-substantivo correspondente, acrescentado-se a letra i ao final do substantivo. E para todo substantivo que termina em "ão" existe um quasi-substantivo correspondente, substituindo-se a sequência "ão" por "i". Se um substantivo encerrar com "ção", substituímos esta sequência de letras por "ci", para obter o quasi-substantivo correspondente.

VIII) Todo quasi-substantivo é uma palavra oxítona ou paroxítona. Nenhum quasi-substantivo é uma palavra proparoxítona. Os detalhes sobre pronúncia e eventual acentuação de quasi-substantivos precisam ainda ser regulamentados, à medida que houver o uso corrente de quasi-português.

IX) O significado pretendido de um quasi-substantivo depende do significado de seu substantivo correspondente, o qual é abstraído de gênero, número e localização no espaço ou no tempo.


Por que usar quasi-português?

 

Nossas justificativas para o emprego da extensão da língua portuguesa que propomos são apresentadas nos parágrafos abaixo.

Na língua portuguesa é perfeitamente possível falar a respeito de categorias de objetos ou conceitos abstratos sem apelar a quasi-substantivos. Isso pode ser feito através de breves e vagas descrições (como "a categoria das árvores") ou simples adjetivos (como "arbóreo"). No entanto, substantivos como "categoria" e "árvore" são identificáveis em termos de gênero e número, limitando o alcance semântico da língua portuguesa, principalmente naquilo que se refere a conceitos com os quais pessoas não têm familiaridade, por serem demasiadamente abstratos. Além disso, adjetivos (como "arbóreo") são palavras variáveis e inevitavelmente precisam ser associados a algum objeto ou ser, real ou não, que seja novamente identificável em termos de gênero e número. E, assim, novamente estamos limitando o alcance semântico de nossa língua.

Esta limitação na semântica pretendida da língua portuguesa apresenta consequências marcantes e indesejáveis. Citamos aqui alguns exemplos.

Ocorrem manifestações culturais em nossas sociedades que parecem demandar uma extensão das linguagens naturais. Em certas religiões, como o judaísmo, existe a visão de que Deus seja uma força ou ideal, algo de caráter intangível pelos sentidos físicos e inalcançável pela racionalidade. O mesmo pode ser dito a respeito de certas visões cristãs a respeito de Deus, como a de Blaise Pascal. No entanto, linguagens naturais como o português são limitadas por visões semânticas fortemente associadas aos sentidos físicos ou àquilo que seja tratável pelo intelecto humano. Neste sentido, a prática de se falar sobre uma força superior e inalcançável pelos sentidos e pela razão, usando o termo "Deus" (um substantivo com gênero e número), certamente se mostra inadequada para falar de maneira condizente com tais princípios religiosos. 

Além da religião, ocasionalmente a própria ciência trata de conceitos que não encontram correspondência alguma com experiências sensoriais, emocionais ou intelectuais do cotidiano de indivíduos falantes de português. Alguns dos exemplos mais marcantes ocorrem na mecânica quântica. Este ramo da física trata, entre outros assuntos, do problema da não-individualidade de partículas elementares. Há extensas discussões sobre este tema na literatura especializada. Isso porque existem convincentes evidências de que partículas elementares que constituem matéria e campos são desprovidas de individualidade. Mesmo teorias matemáticas propostas para lidar com este problema encontram a dificuldade de serem sustentadas sobre metalinguagens fortemente comprometidas com a noção de individualidade. Apesar de nossa proposta de quasi-português não demonstrar evidências imediatas de que o problema da não individualidade em mecânica quântica possa ser solucionado de forma satisfatória, pelo menos é um passo interessante para a introdução de abstrações profundas na semântica informal pretendida em meio a discussões filosóficas. Se um substantivo é identificado com número, então usualmente este número é associado com a capacidade de contar. E indivíduos sempre podem ser contados, pelo menos em princípio.

Em discussões de gênero, cada vez mais frequentes em nossos tempos, existem algumas correntes de pensamento que defendem não apenas igualdade social, mas também neutralidade de gênero. Para tanto, muitas pessoas já usam expressões como "elx" no lugar de "ele" ou "ela", especialmente em redes sociais da internet. No entanto, julgamos que esta solução é deselegante, além de comumente limitada apenas a seres humanos. 

A introdução gradual de quasi-português na literatura pode trazer o benefício da reflexão não apenas sobre quasi-substantivos e seus intangíveis significados, mas também sobre a própria língua portuguesa, apresentando ainda o potencial de estimular a leitura de textos muito diferentes de tudo aquilo que já foi escrito até então. Além disso, temos aqui a oportunidade de nos tornarmos uma cultura pioneira na adoção sistemática de princípios de profunda abstração na linguagem natural, com reflexos culturais curiosos.

Além disso, o reflexo filosófico da adoção de quasi-português em discussões sobre religião, ciência e literatura pode ser instigante. Na pior das hipóteses, temos em mãos uma forma lúdica e até engraçada de brincar com o nosso idioma, ao fazermos afirmações cacofônicas definidas por excessos de i's.


Exemplos

 

Vejamos agora alguns exemplos de textos escritos em quasi-português.

Deuses

Universo, em primeira instância, se refere a tudo o que existe, existiu e existirá. É claro que esta afirmação não define, de forma alguma, o conceito de universo. Com efeito, sem uma qualificação apropriada para termos como "existe", "existiu" e "existirá", torna-se muito difícil compreender sobre o que, afinal, estamos falando. Mas, para fins meramente intuitivos, vamos admitir que exista um senso comum, mais ou menos compartilhado por cientistas e pensadores, sobre o que é o universo. 

O universo do pensador grego Pitágoras, por exemplo, era complexo, porém de alguma forma ordenado. A esta ordenação ele se referia como cosmos. E cosmos é um conceito que se opõe à noção de caos. Portanto, associar o universo a cosmos, neste contexto, é uma forma de perceber a realidade como um todo, dotado de caráter matemático. A ironia desta visão é que matemática é um ramo do conhecimento que trata de conceitos inexistentes no mundo real, como o de número. Cinco maçãs podem existir dentro de uma sacola. Isso porque cada uma dessas maçãs pode ser vista, apalpada, saboreada. No entanto, o número cinco é um construto, um conceito abstrato. Não há a possibilidade de ver o número cinco, dissociado de maçãs ou matéria em geral. Não é possível apalpar ou saborear o número cinco. 

Assim como i arvorei compartilhar todas as características em comum entre todas as árvores, sem de fato ser uma árvore, i universoi compartilhar todas as características do universo, sem de fato ser o universo. Neste sentido, poderemos traduzir a noção de universoi como algoi que se identificar com a noção mundana e popular de Deus. As diferenças, no entanto, entre universoi e Deus são profundas. Em primeiro lugar, "Deus" se escreve com inicial maiúscula. Este procedimento é desnecessário e até errado, no caso do termo "universoi", a não ser no caso de estarmos começando uma frase. Em segundo lugar, o termo "Deus" sugere a identificação de algo ou alguém. E é uma pretensão descabida que uma pessoa se julgue em condições de identificar Deus, no sentido de diferenciar aquilo que é Deus daquilo que não é. A identificação de Deus cai em contradição com a noção popular de que Deus seja onipresente.

Por outro lado, uma pessoa de índole religiosa poderia eventualmente sugerir uma distinção entre Deus e diabo, como insistem os cristãos. E, neste contexto, Deus poderia ser melhor identificado como i cosmosi, enquanto o diabo seria o equivalente ai caosi. 

Mas a percepção de que i cosmosi se opor ai caosi parece também refletir modos de percepção humana a respeito de fragmentos di universoi que contam com ordem matemática, bem como fragmentos desprovidos de qualquer ordem. Porém, aqueles que se dedicam à matemática, bem sabem que matemáticos trabalham com múltiplas acepções para termos como "caos", "aleatoriedade" e "acaso", comumente conferindo ordem àquilo que muitos percebem intuitivamente como desprovido de ordem. 

E, para dificultar mais ainda a discussão, não podemos esquecer di matematicai, i qual compartilhar as mesmas características da matemática, sem de fato ser matemática. 


Poemai

Português é substantivo
Portuguesi ser inativi
Como falar o impossível,
Se só cabe o cabível?

 

Lovecraft

O som descrito por Lovecraft em The Transition of Juan Romero remetia ai maquinai pulsanti como i engrenagemi di vidai.


Eletroni

Uma, duas, três maçãs. Consigo contar as maçãs no cesto, simplesmente porque separo uma maçã por vez, enquanto conto. 

Três elétrons no átomo de lítio. Consigo contar o número de elétrons de um átomo de lítio por conta de reações entre um feixe de elétrons e uma amostra de lítio. Essas reações desencadeiam feixes de raios-X cujas frequências permitem estimar o número de elétrons em uma eletrosfera. Portanto, apenas faço uma estimativa matemática que permite concluir que o átomo de lítio tem número atômico 3. É impossível contar elétrons presos em órbita de um átomo, da mesma forma que se conta o número de maçãs em um cesto. 

Para ilustrar brevemente este problema, citamos aqui o famoso telefonema de John Wheeler para Richard Feynman, na primavera de 1940: "Eu sei por que todos os elétrons têm a mesma carga elétrica e a mesma massa! Porque todos eles são o mesmo elétron!"

Esta questão está intimamente ligada àquilo que filósofos da física chamam de problema da não-individualidade entre partículas elementares. Para o leitor interessado, recomendamos o livro de French e Krause

Ora, se partículas elementares são de fato não-indivíduos, nem mesmo um único elétron poderia existir. Com efeito, se este elétron único existir, ele pode ser identificado, rotulado, apontado. Portanto, por que não pensar em termos de i eletroni? I eletroni ter todas as características compartilhadas por todos os elétrons, sem ser um elétron específico ou sequer a (ou uma) coleção de todos os elétrons. No entanto, diferentemente di arvorei, i eletroni contar com características mensuráveis: massa de repouso, carga elétrica, spin, entre outras. Portanto, a diferença entre partículas elementares estudadas pela física quântica e corpos estudados pela física clássica reside no fato de que particulai elementari poder sim ser associadi a medições precisas, enquanto corpoi macroscópici não poder.


Homem sem gênero ou número

Ser i homemi que se sentir atraídi peli mulheri. Ser i mulheri que se sentir atraídi peli homemi. Ser i homemi que se sentir atraídi peli homemi. Ser i mulheri que se sentir atraídi peli mulheri. Ser humani! Abandonar Id, enxergar Idi.