O Fim da Escola

Foto de Bárbara Guerreira.

Foto de Bárbara Guerreira.

Com sobrenome de vilão da Marvel Comics, Zachary Slayback é um jovem empreendedor que, em 2014, abandonou seus estudos de graduação em uma das melhores universidades dos Estados Unidos, para investir em propostas alternativas de formação e trabalho. É um dos sócios fundadores do Programa Praxis, destinado ao treinamento de futuros empreendedores. Com artigos publicados em periódicos como Newsweek e The Daily Caller, entre outros, Slayback tem sistematicamente discutido sobre educação, inovação e sociedade. Defensor da proposta de que empreendedores são os principais agentes de transformação social, ele é uma das vozes de destaque (Top Voice) sobre educação e desenvolvimento na rede social LinkedIn. Em sua visão, escolas são instituições obsoletas e até prejudiciais para o desenvolvimento intelectual, profissional e pessoal de jovens. Como afirma Connor Boyack (autor de Passion-Driven Education), "Essas ideias são consideradas como radicais por alguns. Mas radical é a ideia de armazenar crianças em uma sala de aula que confina pessoas de uma mesma faixa etária".

Alguns de seus ensaios foram reunidos no best seller The End of School (O Fim da Escola), livro publicado em maio de 2016.

Não é a primeira vez que vemos jovens de extraordinário talento procurarem outras formas para alavancar suas carreiras de maneira independente daquilo que a universidade oferece. O brasileiro André Sionek é uma curiosa coincidência, pois estudou (pelo Programa Ciência Sem Fronteiras) na mesma instituição onde Slayback iniciou seus estudos superiores. Em função disso, Sionek abandonou o Curso de Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e criou a revista Polyteck. A diferença é que hoje ele estuda Administração na UFPR. Mas futuramente divulgaremos mais casos pontuais de jovens inteligentes e dedicados que simplesmente querem distância de toda e qualquer universidade.

Slayback foi procurado pelo site Eclipse para uma entrevista. É a primeira vez que ele divulga suas ideias em uma mídia brasileira. Esperamos que os leitores aproveitem bem o material aqui disponibilizado em dois idiomas.

Agradecemos ao amigo Gilson Maicá Oliveira pela indicação do livro The End of School.


Zak Slayback - Entrevista

 

ECLIPSE: Eu sei que já perguntaram isso para você anteriormente, por exemplo, no podcast de Isaac Morehouse. Mas onde você iniciou seus estudos universitários e por que os abandonou, apesar de ter sido considerado um aluno brilhante e dedicado? Que tipo de liberdade intelectual você estava procurando?

ZS: Fui aluno na Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, no estado da Pensilvânia. Eu estudava filosofia e estava especialmente interessado em filosofia política e psicologia moral, bem como nas possíveis interseções entre essas duas áreas. Acabei abandonando aquela instituição simplesmente porque o custo de oportunidade se tornou grande demais. Consegui fora da escola aquilo que eu buscava. Aprendi as coisas que eu julgava importantes e passei a estudar com um brilhante psicólogo que, no mesmo ano em que abandonei a universidade, foi contratado por outra instituição de ensino superior da costa oeste.

Tive outras oportunidades que se tornaram viáveis para mim. Uma delas foi unir forças com Isaac [Morehouse] para desenvolver o projeto Praxis. Tive a chance de estudar por conta própria e escrever regularmente (um de meus artigos recentes de pesquisa sobre aprendizado foi aceito no mesmo evento científico que fui orientado para participar, caso eu quisesse entrar em um ótimo programa de pós-graduação... e eu não tenho diploma algum!), e tive a oportunidade de colocar minhas ideias em prática no mundo real.

Ser um ótimo estudante é algo muito bom - mas trata-se de uma habilidade que simplesmente fica confinada a sala de aula e ambientes de trabalho no estilo sala de aula. Eu queria algo mais. Sempre me senti atraído pela postura de aumentar o grau de dificuldade para o meu próximo desafio e vi a oportunidade de decolar, criando uma empresa transformadora de pessoas.

ECLIPSE: O sistema escolar finlandês não pode ser percebido como um exemplo bem sucedido de educação promovida por instituições criadas para este propósito, pelo menos em níveis pré-universitários? A escola não pode ainda funcionar como uma instituição que estimule ideias entre crianças e adolescentes?

ZS: Na verdade existem duas respostas a esta questão. Permita-me tratar de ambas.

Em primeiro lugar, escolarização existe na forma de um espectro. Nem todas as escolas são criadas da mesma forma e nem todas as escolas são igualmente ruins. Algumas formas de escolarização serão menos destrutivas para aspectos críticos do intelecto, e para o trabalho criativo, do que outras. Por exemplo, os modelos Montessori e Sudbury tendem a ser melhores do que uma escola americana tradicional (pública ou privada) sob esta métrica. Dessa forma, o sistema finlandês - que é mais parecido com aqueles que mencionei (Montessori e Sudbury) do que com o americano tradicional no estilo fábrica que trata todo mundo da mesma maneira - é melhor para ajudar crianças a desenvolverem faculdades intelectuais críticas e pensarem melhor.

No entanto, o problema central da escolarização não reside no estilo empregado (apesar de contribuir). A questão da escolarização é a sua natureza compulsória. O que torna a escola uma escola, e não apenas uma educação em grupo, é o fato de que o estudante não tem escolha, a não ser estar lá. As pessoas se orientam de maneira completamente diferente em suas atividades, se suas crenças mudam a respeito do que estão fazendo e por que estão fazendo. Se essas crenças nascem a partir de seus valores mais fundamentais para aquilo que elas desejam realizar, é mais provável que elas aprendam rapidamente e de maneira eficiente. Se essas crenças surgem de um mero desejo de evitar dor, humilhação ou punição, então essas pessoas seguirão sem entusiasmo e dificilmente aprenderão bem.

"A questão da escolarização

 é a sua natureza compulsória."

 

ECLIPSE: Um problema crescente entre jovens estudantes é o plágio e a cola. De acordo com um artigo publicado em The Guardian, muitos estudantes universitários não entendem as punições contra tais práticas. Eles dizem: "Eu reconheço que violei as regras, mas as sanções são muito severas". Como você espera que as pessoas assumam a própria educação, independentemente de escolas, uma vez que muitas delas não compreendem os princípios básicos de educação?

ZS: O problema que você vê com cola (particularmente entre estudantes de alto desempenho) ocorre por conta do caráter obrigatório do jogo. Combinado com a massiva pressão cultural para ser bem sucedido na escola, isso se torna um jogo no qual os melhores devem vencer, custe o que custar. É um jogo para os alunos e não um processo de aprendizado e autoconhecimento. Você conquista boas notas e impressiona as pessoas certas, de modo que você pode escalar para o próximo nível do jogo, independentemente de ser o próximo ano escolar, a faculdade, uma pós-graduação ou um confortável emprego em Wall Street. Esses estudantes são espertos, pelo menos em um sentido - eles sabem como virar o jogo.

Se você transformar o ambiente competitivo da escola - definido por um mecanismo seletivo de soma zero que determina o resto da vida do jovem aos 18 anos de idade (ou mais cedo, como no sistema alemão) - para um ambiente de estudos complexos, com recursos e mentores escolhidos livremente e disponíveis para dar suporte ao aprendizado dos alunos, neste caso você perceberá progresso sem qualquer forma de trapaça.

Isso nada diz a respeito da maneira sinistra em que jovens são ensinados a conectar desempenho escolar com autoestima.

ECLIPSE: De que forma você vê uma iniciativa como a Universidade 42, que começou em Paris e agora está presente também no Vale do Silício?

ZS: Você precisará ver mais modelos construídos em torno do domínio de uma ou poucas habilidades relacionadas em educação superior e seguindo adiante. A realidade é que o sistema educacional superior vigente se trata de um amálgama de poucos propósitos distintos criado inteiramente para fins já ultrapassados. Treinar o clero, oferecer um acampamento de verão de quatro anos para a aristocracia e despejar cientistas durante a Guerra Fria foram as principais funções deste sistema. Portanto, você consegue pessoas treinadas para essas coisas - ou coisa alguma - saindo com pouco para se agarrar. O mercado exige algo que ajude as pessoas a conquistarem habilidades reais a partir de especialistas reais. Eu não acho que isso seja ou deva ser confinado a uma codificação.

Eu acho que a grande coisa sobre a era da internet é que, com suficiente tenacidade e acompanhamento pela rede, você pode entrar em contato com praticamente qualquer pessoa. Um jovem motivado e curioso, que deseja aprender com especialistas, pode fazer isso em quase todas as áreas. Já testemunhei isso em artes visuais, fundos de investimentos, petróleo e gás, desenvolvimento Front-End, educação - enfim, praticamente todas as áreas.

ECLIPSE: Você certamente sabe que o sistema escolar tem uma poderosa influência social em todo o mundo. A inércia social da escola é simplesmente enorme. Se mudanças são necessárias na educação, quem deve começar tais mudanças? E, mais importante, como?

ZS: Há uma resposta positiva e uma negativa aqui. Começarei com a negativa, ou seja, sobre quem não deve liderar as mudanças.

Eu trabalho com um ceticismo saudável em relação a quaisquer esforços que direcionem poder concentrado de maneira a afetar muitas pessoas que não têm escolha a não ser as consequências deste poder. Planos abrangentes, engenharia social e grandes reformas frequentemente produzem efeitos negativos, resultando em situações mais complexas e difíceis de desfazer. Dessa forma, não creio que exista alguma agência central ou algum governante que deveria promover reformas nessas escolas. Mesmo que governantes sejam esclarecidos, completamente racionais e benevolentes, o sistema atual é tão comprometido com interesses especiais e mergulhado em dogmas, que as mudanças devem vir de fora.

Estudantes, educadores, empreendedores e autodidatas que jamais param de estudar devem liderar as mudanças. Qualquer pessoa que deseja aprender algo, mas se sente insatisfeita com as opções disponíveis, deve procurar por novas opções. Aqueles que conhecem pessoas insatisfeitas devem perceber esta situação como uma oportunidade para preencher uma lacuna no mercado e criar novas oportunidades. Iniciativas como a Universidade 42, Praxis, Make School, entre outras, devem se tornar mais comuns. O estigma de não fazer curso superior deve se tornar mais fraco (e se tornará à medida que mais pessoas inteligentes e de alto nível escolherem este caminho). Nos ensinos fundamental e médio, pessoas que optaram pelo ensino domiciliar nos Estados Unidos provavelmente tiveram um impacto maior no desmantelamento de um sistema ultrapassado e prejudicial do que os reformadores do ensino. Isso é bom. Com o tempo, aqueles que seguirem novas opções se tornarão cada vez mais o segmento dominante. É um processo que simplesmente demanda tempo. Não há panaceia.

ECLIPSE: Se um jovem estudante ler esta entrevista e o seu livro, como ele pode convencer seus pais, parentes e amigos de que a melhor maneira para conquistar uma carreira de sucesso e felicidade pessoal pouco tem a ver com um curso superior?

ZS: Apenas lembre que seus pais querem o melhor para você... mas que eles também cresceram em uma época diferente, com incentivos e instituições diferentes. Se eles não bancarem financeiramente de forma alguma, lembre-se de perguntar a si mesmo qual vida você está vivendo: a de seus pais ou a sua?

ECLIPSE: Qual é o papel da internet na educação, uma vez que a Era da Informação é caracterizada também por muita desinformação?

ZS: A internet é uma ferramenta como qualquer outro recurso de sala de aula ou de uma biblioteca. Essa ferramenta pode ser bem usada ou mal empregada. Por um lado, a internet oferece para qualquer um a conexão com dados do que há de mais recente no conhecimento da humanidade, bem como uma distância de poucos nós de rede de qualquer pessoa no mundo. Os intelectuais de amanhã estão na internet hoje. O uso inteligente de tempo e distribuição online será a chave para o emprego desta ferramenta, bem como para provocar um grande impacto na questão "aprender muito versus perder tempo".

"Os intelectuais de amanhã

estão na internet hoje."

 

ECLIPSE: Tudo o que você disse parece funcionar para alunos motivados e talentosos. Freeman Dyson, por exemplo, é um caso bem conhecido de cientista famoso que jamais obteve o seu doutorado. No entanto, particularmente no Brasil, a maioria dos estudantes de graduação parece ser psicologicamente dependente de ordens. Eles parecem sedentos por ordens dadas pelos seus professores a respeito do que devem ler, que tipo de tarefas devem cumprir e assim por diante. E qualquer instituição estabelece uma série de regras sobre o que pode ser exigido de pessoas. Tal comportamento pode ser consequência do sistema escolar e até mesmo da maneira como crianças e adolescentes são criados. O sistema escolar ainda é adequado para esse tipo de estudante ou ele deveria pensar duas vezes a respeito de suas características pessoais?

ZS: Este é o momento em que acredito que o pensamento de primeiros princípios se mostra importante. Em ciências naturais, o pensamento de primeiros princípios o força a abrir mão de suas ideias e noções atuais sobre um assunto, para focar nos primeiros princípios do mundo natural. Isso é obviamente mais difícil em algo como educação, área na qual você está lidando com vidas de pessoas reais por longos períodos de tempo. Por sorte, nós temos primeiros princípios para guiar nossos modelos para primeiros princípios e educação - crianças! Crianças, principalmente aquelas que ainda seguirão algum sistema formalizado de educação, nos mostram aquilo que as pessoas naturalmente são, no que se refere a vários assuntos. No tocante a educação, crianças são incrivelmente automotivadas, curiosas e rápidas para aprender. O que você vê na educação superior é uma função de anos de escolarização compulsória. Quando as pessoas percebem qualquer coisa como mera obrigação, elas ficam inerentemente menos interessadas em dar continuidade. Elas percebem essa obrigação como uma coisa da qual devem se afastar, ao invés de abraçar. Nós vemos isso em educação o tempo todo. Crianças sem escolarização são frequentemente aquelas com as mais intensas curiosidades ao crescerem. Tenho percebido isso entre os participantes de Praxis - aqueles que são os menos escolarizados frequentemente são os mais curiosos e famintos por conhecimento.


Zak Slayback - Interview

 

ECLIPSE: I know you were asked about this before, for example, in the Isaac Morehouse podcast. But where did you start your academic studies and why did you drop out of school, despite the fact that you were considered a brilliant and hard working student? What kind of intelectual freedom were you looking for?

ZS: I was a student at the University of Pennsylvania, in Philadelphia, PA, majoring in Philosophy. I was particularly interested in political philosophy and moral psychology, and the possible intersections between those two subfields. I eventually left Penn because the opportunity cost simply got too high. I got the value I wanted out of the school. I learned the things that I thought were valuable to learn and got to study with a brilliant moral psychologist who, the same year I left, was hired away by another university on the West Coast.

I had other opportunities that became available to me. I had the opportunity to join Isaac in getting Praxis off the ground. I had the opportunity to study on my own, to write regularly (one of my papers of recent research on learning has actually been accepted to the same academic conference I was advised to present at if I wanted to get into a great grad program...and I don't have a degree!), and I had the opportunity to put my ideas into action in the real world.

Being a great student is a good skill to have -- but it is a skill that is only confined to the classroom and classroom-like workplaces. I wanted something more. I've always been attracted to turning the difficulty level up on my next challenge and that's what I saw with the opportunity to break away and get a transformational company off the ground.

ECLIPSE: Can't the Finnish school system be seen as a successful example of education promoted by institutions designed for that purpose, at least in pre-college levels? Can't school still work as an institution for stimulating ideas among children and teenagers?

ZS: There are really two answers to this question, so let me address both of them.

First, schooling exists on a spectrum. Not all schools are created equal and not all school systems are equally bad. Some schooling styles are going to be less destructive to critical faculties and to creative work than others. Montessori and Sudbury models tend to be superior to a traditional American school (public or private) on this metric, for example. So the Finnish system, which is closer to those (Montessori and Sudbury) than the traditional American, one-size-fits-all, factory-schooling style will be better at helping children develop critical faculties and think well.

Second, though, the issue with schooling really isn't, at its core, the style that is used (although that contributes). The issue with schooling is its compulsory nature. What makes school school, and not simply group education, is that the student really doesn't have a choice to be there. People orient themselves to activities in an entirely different way if their beliefs about why they are doing what they are doing are changed. If those beliefs stem from their core values for what they want to achieve, they're more likely to learn quickly and effectively. If those beliefs stem from a mere desire to avoid pain, humiliation, or punishment, then they will go through the motions but rarely learn well.

"The issue with schooling is

its compulsory nature."

 

ECLIPSE: A growing problem among young students is plagiarism and cheating. According to an article published in The Guardian, many college students do not understand punishments against that practice. They say: "I accept I broke the rules but the sanction is too severe". How do you hope that people reclaim education from school since many of them do not understand the basic principles of what education is all about?

ZS: The issue you see with cheating in schools (especially among high performing students) comes from the compulsory nature of the game. Combined with the massive cultural pressure to succeed in school, it becomes a game by which the best must win at any cost necessary. It's a game to the students, not a process of learning and self-discovery. You get good grades and impress the right people so that you may level up to the next stage of the game, whether that's the next grade, college, grad school, or a cushy job on Wall Street. These students are smart in at least one way -- they know how to reverse-engineer the game.

When you move school from a competitive, zero-sum sorting mechanism that determines the rest of the child's life at age 18 (or earlier in systems like the German one) to a willfully-chosen environment of resources and mentors on complex subject matters and who are there to support the students' learning, then I think you'll see progress away from cheating.

This isn't to say anything about the sinister way in which young people are taught to connect their self-worth to performance in school, either.

ECLIPSE: How do you see an initiative like University 42, which started in Paris and now is in the Silicon Valley as well?

ZS: You're going to need to see more models built around the mastery of one or a few related skillsets in higher education going forward. The reality is that the existing higher education system is an amalgamation of a few different ends designed entirely for outdated purposes. Training the clergy, providing a four-year summer camp for the aristocracy, and churning out scientists during the Cold War are the primary functions of this system. So you get people who are trained in these things -- or nothing at all -- coming out with little to grasp on to. The market demands something that helps people pick up real skills from real experts. I don't think that will or should be confined to coding.

The great thing about the age of the Internet is that, with enough grit and follow-through, you can get in touch with almost anybody. A driven, curious young person who wants to learn from experts can do so for pretty much any field. I have seen this with visual art, with hedge funds, with oil and gas, with front-end web development, with education -- with pretty much any field, you name it.

ECLIPSE: You are certainly aware that the school system has a powerful social influence all around the world. The social inertia of school is simply huge, almost invincible. If changes are necessary for education, who should start such changes? And most importantly, how?

ZS: There's a positive and negative answer here, as well. I'll start with the negative -- meaning, who shouldn't lead the charge.

I operate with a healthy skepticism of any efforts to direct concentrated power in a way that affects a lot of people who have no choice but to be affected by that power. Attempts at broad, social engineering and reform often backfire and result in a more complex, difficult-to-untangle result. So, I don't think there's some central bureau or planner who should go about reforming these schools. Even if they are enlightened, fully rational, and benevolent, the existing system is so wrapped up in special interests and entrenched dogma that change has to come from outside.

Students, educators, entrepreneurs, and life-learners should lead the charge. Anybody who wants to learn something but is dissatisfied with the options available to them should go and search for new options. Those who know people who are dissatisfied should see that as an opportunity to fill a gap in the market and provide new opportunities. Initiatives like University 42, Praxis, Make School, and others should become more common. The stigma from skipping college should become weaker (and it will as more smart, high-caliber people choose to follow that path). In K-12, homeschoolers in the US have probably had a bigger impact in dismantling an outdated and harmful system than school reformers have. The first-movers of any new effort are going to look crazy. That's okay. As time goes on, those opting for new options will be more and more mainstream. It just takes time and there is no panacea.

ECLIPSE: If a young student reads this interview and your book, how can he/she persuade his/her parents, relatives and friends that the best way to achieve a successful career and personal happiness has little to do with college?

ZS: Just remember that your parents want what is best for you ... but also that they grew up in a different time with different incentives and different institutions. If they absolutely will not budge, remember to ask yourself whose life you are living: your parents' or your own?

ECLIPSE: What is the role of the internet in education, since the Information Age is characterized also by a lot of disinformation?

ZS: The Internet is a tool like any other resource in a classroom or a library. That tool can be used well or it can be used poorly. On the one hand, the Internet gives anybody with a data connection access to the culmination of humanity's current knowledge and gives them a few nodes of connection away from anybody else in the world. The intellectuals of tomorrow are on the Internet today. Intelligent use of time and of distribution online will be the key to using this tool as one to make a big impact/learn a lot versus one to waste time.

"The intellectuals of tomorrow are on the Internet today."

 

ECLIPSE: All you said seems to work for skilled and motivated students. Freeman Dyson, for example, is a well known example of a brilliant scientist that never got his Ph.D. Nevertheless, particularly in Brazil, most undergraduate students seem to be psychologically dependent on orders. They seem to crave orders from their instructors about what they are supposed to read, what kind of tasks they should perform and so on. And any institution establishes a set of rules about what can be requested from people. Such a behavior may be a consequence of the schooling system and even of the way how children and teenagers are raised. Is the school system still appropriate for this kind of student or should this student think again about his/her personality traits?

ZS: This is where I think first principles thinking is very important. In the natural sciences, first principles thinking (FPT) forces you to remove your existing thoughts and notions about a given subject and focus on the first principles of the natural world. This is obviously harder in something like education where you are dealing with the lives of real people over long periods of time. Fortunately for us, we do have first principles subjects to guide our models for FPT and education -- children! Children, especially those who have yet to go through any formalized system of education, show us what people are naturally like when it comes to a variety of subjects. When it comes to education, they are incredibly self-motivated, curious, and quick learners. What you see in higher education is a function of years of compulsory schooling. When people come to see anything as mere drudgery, they are less inherently interested in pursuing it in the future. They perceive it as something to be moved away from rather than something to be embraced. We see this in education all the time. Unschooled children are often those with the strongest curiosities when they grow older. I've seen this with participants at Praxis -- those who are the least-schooled often are the most curious and hungry to learn.